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Venga lo que venga

Lembro muito bem – era um domingo de 1996 – estava em pleno Caminho de Santiago – cruzando uma região árida – caminhava entre o vilarejo de Hontanas e o povoado de Fromista.

Àquela altura, o coração já apertado de saudades. Os pensamentos resgatavam lembranças de mágoas, alegrias e sentimentos amontoados no subsolo do meu cérebro.

No meio de uma subida desvesti a mochila, me atirei no chão e sem saber o porquê – as lágrimas vieram me visitar.

Nem sei quanto tempo fiquei sentado com a cabeça enfiada entre as pernas abraçando os joelhos, em completo estado de impermanência.

Do nada apareceu um vulto, um cajado e uma mochila perguntando se eu estava bem e se precisava de alguma coisa.

_Não sei – respondi – talvez respirar um pouco e retomar meu caminho estou com medo do que ainda tenho pela frente.

_Venga lo que venga! Você irá superar – disse com sua voz rouca – o peregrino espanhol, que mais tarde disse ser de Bilbao e se chamar

Ramon.

“Venga lo que venga” – que apertando a tecla SAP seria: “venha o que vier”.

Me contou que esta frase era seu mantra e o encorajava a enfrentar qualquer desafio sem se abater.

Que a praticava incessantemente desde que lera um livro de Claudio Naranjo – um médico psiquiatra chileno, que ao perder tragicamente

seu filho de 20 anos tornou-se discípulo do mestre espiritual Oscar Ichazo. Para se reinventar, partiu para um período de completo

isolamento no deserto de Arica, para vivenciar uma fase espiritual e uma vida contemplativa.

Venga lo que venga – é não esperar que as coisas aconteçam de acordo com suas expectativas é deixar a vida fluir e fluir com ela.

No Cristianismo seria como: ”Que seja feita a vontade de Deus” Venga lo que venga – nos encoraja nos faz crescer e superar os obstáculos. É estar preparado para enfrentar com coragem, amor e fé, a vida como ela se apresenta.

Hoje entendo que: “venga lo que venga”, não é conformismo ou uma simples aceitação dos fatos.

Calou fundo, uma frase que ele atribuiu a Claudio Naranjo: “O bom navegador, não necessita que o vento sopre nesta ou naquela direção; seja qual for a direção em que o vento estiver soprando, o bom navegador saberá aproveitá-lo para chegar ao seu destino.

Fonte: Tribuna de São Pedro

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José Palma
José Palma
José Palma, pisciano — nasceu no dia oito de março de 1950 — descobriu que fraternidade era muito mais que uma palavra quando em 1996, realizou o Caminho de Santiago. Empresário, resolveu mudar sua vida após retornar de seu Caminho. Simplificar a rotina e aliviar o peso de sua mochila — uma mudança fácil de planejar e complexa de se executar. Idealizou o Caminho do Sol e desde sua inauguração, dedica-se integralmente ao Caminho e caminhantes. Nesta simbiose, vive intensamente as experiências e o aprendizado de cada peregrino. Continuar sonhando sonhos impossíveis e um dia conseguir tocar o inacessível chão, fazem parte de sua luta, onde a regra é não ceder e sim fazer do “Amor um Vencedor”.

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