Quem tem a infelicidade (rs!) de conviver com este estranho povo, com estranhos hábitos, que só pensa em caminhar por dessemelhantes Caminhos, que vive abraçando com um abraço melequento – pedindo para o outro erguer bem alto o braço esquerdo – de tal forma que ao abraçar, os corações se encostem promovendo o que seria um simples movimento gestual ao status de “abraço peregrino” – um abraço fraterno, de gente querida, com muito amor – o cantado amor universal – um grude de energia pró ativa um encontro de corpos que transmite a paz, a fé e o desejo de bem querer – tão precisado neste mundão de meu Deus.

Pois é! Este povo pateta que valoriza o simples, que cochicha com a natureza, que se encanta com o vôo das araras, que delira com o vôo dos tucanos, que acha graça no balé do réptil que rasteja, que consegue perceber o perfume das flores, que não fica bravo com a picada de uma abelha, que tem coragem para estender a mão, e humildade para aceitar o ombro amigo – é também um povo ambíguo.

Vive nas nuvens, mas precisa ter os pés fincados na terra!

Prática vigilante de uma ginástica diária, que exige um contorcionismo físico e mental.

Trocam a bermuda pelo terno e transmutam-se em executivos; Trocam o cajado pelo estetoscópio e assumem a medicina; Trocam a trilha pela Constituição e exercem o Direito; Trocam a seta pelos cálculos e vestem a carapuça de engenheiros; Semeiam amor pelos Caminhos e voltam para semear as sementes que nos dão o alimento; Interrompem seus aprendizados e invadem as salas de aula para nos ensinar.

Vidas que seguem desenhando um mundo azul clarinho – equilibrando-se nesta simbiose de viver a essência e respirar a matéria.

Buscar a razão indireta entre o ser e o ter é seguir o princípio da mestra maior – da mestra mochila – que ensina a substituir o acessório pelo principal, a quantidade pela qualidade e a prática do despojamento material.

Assim como a melodia, quando os pés “tocam o inacessível chão”, a verdade da vida real assusta mais que ficar sem protetor solar sob o verão de janeiro.

E na muda conversa da trilha, as reflexões são fiéis companheiras.

Mundo – é chegada à hora de calar o descalabro!

O descalabro que assalta a coisa pública para enriquecer o próprio umbigo, a escaramuça dos quadrilheiros de chapa branca para saciar seus caprichos e sustentar suas vaidades com o dinheiro alheio.

O obscuro conluio público – privado, sem o selo verde amarelo de respeito aos valores republicanos.

O fim de uma era.

Uma ERA que já era.

Fonte: Tribuna de São Pedro