Para muitas pessoas não é de fácil compreensão entender como funciona a cabeça desta turma que desprezando o conforto do dia a dia abandona a blindagem de suas couraças, veste uma mochila empunha um cajado e com grande intimidade com as incertezas da vida respira fundo, enche o peito e desenha em sua face um irresistível assomo de faceirice – põem-se a caminhar mundo afora colecionando passos, amigos e inúmeras e saudáveis loucuras.

O que nos move é o amor, sabemos que ele é o sol que brilha e acalenta nossos corações.

Conhecer as misérias do mundo, poder contemplar uma cintura de montanhas caprichosamente recortadas pela graça e capricho do Universo – conversar com os pássaros e entender a língua dos anjos  coando  uma réstia de olhar para saudar uma banda do firmamento é como chupar favos nunca antes saboreados.

Nossa mente é como o leão que precisa tornear sua rotina com a preocupação de alcançar a caça para poder sobreviver.

Assim, mesmo carregando a cadência dos passos medidos, a cabeça nas nuvens e os pés fincados no chão precisamos sacar meia dose de humor para conseguir mastigar um pouco da realidade e enfrentar a geometria da vida.

O sol forte e as dores doídas o abatiam e o faziam andar com o ventre.

Incorporou um sorriso maroto fez-se de encabulado, desvestiu a mochila, descolou-se do cajado – enxugou a face castigada pelo sol, arranhou a garganta disse ao companheiro:

__Não estou agüentando – vou dar uma pedalada… peregrina.

__Como assim, vai pegar uma bike?

__Não.

E fazendo sinal para o velho trator que carregado de estêrco, vagarosamente roncava ladeira acima disse:

__ Vou pegar uma carona.

E se mandou!

 

Fonte: Tribuna de São Pedro