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Sopa indigesta

A rotina de estar com os peregrinos sempre as terças feiras é meu compromisso semanal – uma espécie de recreio.

Uma alegria poder estar com eles, sempre a véspera do início do Caminho.

A cada Passaporte entregue somamos mais amigos para dividir e desfrutar o convívio peregrino que de quebra, ainda nos permite pegar uma carona na caminhada alheia.

A cada carimbo carimbado, novas estórias são acrescentadas às vidas que colecionam quilômetros.

Um festival de diferenças iguais – que somam experiências multiplicam saber e dividem alegrias.

Entre uma mochila que se acomoda e um cajado que engatinha, eles vão se ajeitando no desajeito de cada um.

Entre nacos de mussarelas, napolitanas, rúculas e portuguesas divide-se muito mais que simples pedaços de pizzas. Divide-se abraços, sorrisos, apresentações e a ansiedade do primeiro passo.

Bebe-se refrigerante e embebeda-se de uma típica alegria peregrina – nova e contagiante.

Faltam ouvidos para ouvir tanta falácia gostosa, uma boa poltrona e paciência para ouvir.

Os ponteiros seguem firmes – avançam em busca de novas horas e ninguém percebe que é quase tempo de descansar – afinal o galo já prepara o gargarejo, umas voltas mais e é chegada à hora de botar o pé na estrada.

Mas entre eles havia uma peregrina do sul, que trazia em sua mochila a experiência de muitos caminhos já caminhados e um rol de estórias para contar.

E resolveu contá-las todas – uma por uma – de uma só vez.

À medida que os ponteiros avançavam na busca de horas menores, o público avançava em busca de camas maiores. Faltava atenção e sobrava sono.

E ela firme pontuando cada causo, com a energia e o entusiasmo pueril, característico de quem senta a mesa para tomar um lauto café da manhã.

Entre um ronco e uma cochilada dos três que ali educadamente permaneceram ela percebeu que falava para si e encerrando justificou:

__Desculpem! Meu (pobre) marido sempre disse que quando eu era criança devo ter tomado muita sopa de papagaio. Não é?

Fonte: Tribuna de São Pedro

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José Palma
José Palma
José Palma, pisciano — nasceu no dia oito de março de 1950 — descobriu que fraternidade era muito mais que uma palavra quando em 1996, realizou o Caminho de Santiago. Empresário, resolveu mudar sua vida após retornar de seu Caminho. Simplificar a rotina e aliviar o peso de sua mochila — uma mudança fácil de planejar e complexa de se executar. Idealizou o Caminho do Sol e desde sua inauguração, dedica-se integralmente ao Caminho e caminhantes. Nesta simbiose, vive intensamente as experiências e o aprendizado de cada peregrino. Continuar sonhando sonhos impossíveis e um dia conseguir tocar o inacessível chão, fazem parte de sua luta, onde a regra é não ceder e sim fazer do “Amor um Vencedor”.

3 Comentários

  1. Emerson Assis disse:

    Pé na estrada e causos, é a melhor digestão que possamos ter rs

  2. Heliodoro Francisco Marciano disse:

    muito interessante o causo,kkkkkkk, geralmente as peregrinos tem muitas historias gostosas de se ouvir, e quase sempre servem para o caminho e para a vida no dia a dia.

  3. Roseli de Fatima Camargo disse:

    Olá pessoal, do Caminho do Sol! Parabéns á todos os que já fizeram o percurso e principalmente aqueles que se dedicam para aqueles que ainda não teve a oportunidade de viver essa grande e valiosa experiencia de vida! como eu que estou mesmo de longe acompanhado os passos daqueles que se entregaram no momento certo de se interiorizar com sigo mesmo através do fisico e mente, se unindo a natureza e se fazendo um! Minha vez vai chegar, enquanto isso vou sequindo de longe todos voces que viveram essa experiência única. Obrigada por proporcionarem em mim mais esperança de um mundo interno melhor!

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