O que motiva
2 de março de 2015
Olga e eu
23 de março de 2015
Exibir tudo

Quem pode – pode…

Os dois tiveram um imprevisto e não conseguiram chegar a tempo para sair com o grupo de oito peregrinos.

E como a lua já ia alto seguiram para o Terminal de ônibus e embarcaram para Pirapora, que é a segunda cidade de nossa rota.

Os peregrinos estavam se preparando para jantar e os receberam com a alegria e o entusiasmo que caracteriza este pessoal viciado em dar muitos passos com a mochila nas costas e um cajado nas mãos.

Estranhamente, ao longo dos dias os dois amigos caminhavam sós, introspectivos, quase em silêncio total.

E assim seguiram – atitude atípica neste Caminho de Amor.

Mas como ninguém sai ileso desta experiência, aos poucos foram entrando no clima e se aconchegando no sorriso e bem querer dos integrantes do grupo.

A energia e a descontração do grupo foram ocupando a alma dos dois amigos, que de tão fechados receberam o apelido de “ostras”.

O sol nasceu muitas vezes e a branca e prateada luz da lua iluminou algumas noites e foi tirando a dura casca da esquisita rigidez que os envolvia e do negro silêncio dos primeiros dias de caminhada.

Difícil escapar das longas conversas do pós jantar.

Quando nos entregamos ao ato de caminhar deixamos em casa a proteção da densa blindagem que a couraça do dia a dia proporciona e mais leve caminhamos com nossa essência – é o “ser” em detrimento do “ter”.

E na dura conversa mole que precede o descanso do corpo e a libertação da alma, falaram sobre a decepção que tiveram com o amigo irmão que transformaria a dupla em um trio.

A caminhada desde muito planejada entre os três teve que ser adiada muitas vezes nos últimos três anos.

O amiguirmão fora nomeado para um importante cargo no Governo Estadual e de tão ocupado não conseguia um espaço em sua agenda que permitisse curtir os tão esperados onze dias desta aventura.

Os adiamentos se sucediam, os contatos ficaram mais difíceis, como difícil e rara ficou a freqüência, dos outrora encontros e conversas que de diários passaram a ser esporádicos e sempre com barreiras de secretárias, assessores e aspones pendurados em local muito incomodo.

Como o poder ilude!

Transforma alguns em celebridade, as portas se abrem e é só esboçar um gesto para que todos corram para atender.

Ao terminar, o que parecia ser mais novo, meio que desconsolado, mas conformado encerrou com uma triste constatação:

_ O poder das pessoas é muito maior que as pessoas no poder.

Fonte: Tribuna de São Pedro

Veja também

José Palma
José Palma
José Palma, pisciano — nasceu no dia oito de março de 1950 — descobriu que fraternidade era muito mais que uma palavra quando em 1996, realizou o Caminho de Santiago. Empresário, resolveu mudar sua vida após retornar de seu Caminho. Simplificar a rotina e aliviar o peso de sua mochila — uma mudança fácil de planejar e complexa de se executar. Idealizou o Caminho do Sol e desde sua inauguração, dedica-se integralmente ao Caminho e caminhantes. Nesta simbiose, vive intensamente as experiências e o aprendizado de cada peregrino. Continuar sonhando sonhos impossíveis e um dia conseguir tocar o inacessível chão, fazem parte de sua luta, onde a regra é não ceder e sim fazer do “Amor um Vencedor”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *