Com os quilômetros acumulados – sempre dando um passo de cada vez – a duras penas – aprendi a caminhar por entre os fractais que compõem o caleidoscópio da vida.

Com a frieza do desprezo aprendi a fender e apoucar a palavra “desgosto” – incinerando – a na fogueira do nada e optando por escrevinhar o que consigo auscultar com meus próprios e deficientes ouvidos. Uma cantilena revigorante – um isotônico potente que potencializa minha serotonina e me catapulta ao paraíso onde hibernam as coisas que “gosto” – aquilo que me faz bem – muito bem!

Salve a benquerença do mundo peregrino!

Neste baú de memoriais descansa “in natura” um lote dos alfarrábios do que “gosto”, porque ao restolho fétido do “des” não lhes permito aderência e desde logo os pincho fora.

Neste passado que não para de passar, me vi flanando sobre o abstrato. Na verdade sólido continente recordatório de um jucundo “cafécomprosa” gestado nos idos de 2006 – que aqui sacado – deverá produzir uma trilogia – e que me perdoem os eruditos da escrevedura acadêmica – de reles artigos complementares.

Aos caminhos atribuem-se muitos caminhos. Da reflexão, do desprendimento, do autoconhecimento, da alegria, da tristeza, da doçura, da amargura, da morte e renascimento, da dor, do deleite, da fé, do agnóstico, do budista, do evangélico, do espírita, do messiânico, do corpo, da alma, da natureza, da gastronomia, do carnívoro, do vegetariano, do peregrino, do turisgrino e tantos outros.

É o tal do “caminho de cada um”.

Viveu um “caminho lúdico”. Descobriu e liberou sua criança interior. Chutou pedras, pairou sobre poças, subiu em árvores, empinou pipa, conseguiu dar umas poucas pedaladas, atirou-se numa pelada solitária e chutou uma bola de meia – quem não?

Despiu-se de suas presas e entregou-se à represa – nadou e mergulhou nas profundezas de um novo ser.

Livre do bloqueio psíquico emocional viu florescer sua sociabilidade.

Divertiu-se jogando “bom dia meu senhor, bom dia minha senhora” – com o conteúdo inocente das brincadeiras aprendeu a respeitar as regras em vez invés de impô-las.

Idade é apenas um preconceito aritmético!

Busquei Confúcio e me perguntei:

__ Qual seria sua idade se você não soubesse quantos anos têm?

Fonte: Tribuna de São Pedro