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Prosa ou conversa

Caminhamos de forma descomprometida com as demandas do universo, sem nos preocupar que os passos se transmutem em palavras.
Por vezes nos pegamos conversando com a cadência do cajado, com o barulhinho da brisa, com o rio que corre ou mesmo com o ritmo afinado e incomodo do pisar nas pedras – é prezado leitor, assim como na vida – o Caminho também coloca muitas pedras para vc passar por cima e atingir seus objetivos.

Conversei muito com meu silêncio – disse o peregrino durante nosso cafécomprosa.

Uma conversa séria, difícil – pude escutar o que alguém jamais me diria e se dissesse, eu com certeza não iria aceitar e tudo terminaria com uma grande e inútil discussão.

Durante um Encontro Internacional de Peregrinos realizado em Estocolmo foi criado um grupo de discussão, que inutilmente buscou uma definição acadêmica para saber o que é uma e o que é outra.

Como definir se aquele pacote de besteirol ou aquele desabafo repleto de bílis – por vezes sem sentido – seria uma conversa ou uma prosa?

Quem tiver ouvidos para ouvir que fale e quem tiver boca para falar – que ouça.

Depois de escutar uma longa catilinária que – seguramente – levou mais de 4.000 passos, ficou olhando para dentro de si mesmo, quando ao encerrar citando mãe Stella, o baiano arretado vindo de Feira de Santana, vaticinou:

__Por isto meu filho é que lhe digo – o cabra não pode ter a boca tão suja que não possa comer com ela.
Outro peregrino com os sentimentos ainda a flor da pele pela perda de um irmão, vinha contando em detalhes todo o processo da doença e sua rotina de cuidador e certamente com a imagem ainda presa em sua retina finalizou afobadamente:

____… Entrei no quarto pouco depois das 06h00min para lhe dar o remédio e logo percebi algo diferente, me arrepiei e fiquei gelado.

Caramba! Acho que ele morreu dormindo. E já acordou morto!

Fonte: Tribuna de São Pedro

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José Palma
José Palma
José Palma, pisciano — nasceu no dia oito de março de 1950 — descobriu que fraternidade era muito mais que uma palavra quando em 1996, realizou o Caminho de Santiago. Empresário, resolveu mudar sua vida após retornar de seu Caminho. Simplificar a rotina e aliviar o peso de sua mochila — uma mudança fácil de planejar e complexa de se executar. Idealizou o Caminho do Sol e desde sua inauguração, dedica-se integralmente ao Caminho e caminhantes. Nesta simbiose, vive intensamente as experiências e o aprendizado de cada peregrino. Continuar sonhando sonhos impossíveis e um dia conseguir tocar o inacessível chão, fazem parte de sua luta, onde a regra é não ceder e sim fazer do “Amor um Vencedor”.

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