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Promessa & Compromisso

A partir do quarto ou quinto dia de caminhada, o organismo começa a liberar uma substância conhecida como beta endorfina.

Este neurotransmissor do bem é uma droga natural, e como tal provoca reações subliminares de bem estar. Um antídoto que certamente subtrai ou elimina a manipulação de relaxantes

Muitos desconhecem a verdadeira razão deste gatilho alucinógeno, que pode acessar lembranças registradas na enciclopédia do passado ou nos remeter à solução de temas transcendentais:

“Como o dragão do nada, pode correr o risco de ser esmagado pelas garras vingativas do todo”, ou uma abordagem lírico-científica sobre a “Lei da gravidade” – revisando as razões pelas quais “a maçã não cai para cima”.

Sob efeito da beta endorfina – aliada às conseqüências provocadas pelo extremo cansaço e suas variáveis – tudo pode acontecer – o caminhar incessante desperta inúmeras reflexões.

Depois de vencerem a cintura de montanhas caprichosamente recortadas – deram de cara com o cansaço. Sentaram-se a sombra de uma velha figueira para descansar e filosofar sobre as misérias do mundo.

__ É promessa? Indagou o que parecia ser o “menos idoso”.

__ Não! É compromisso – respondeu o outro.

__ Qual é a diferença? – rebateu seu parceiro.

__Neste país de Macunaíma – prosseguiu – existe uma antiga crença que após fazer um pedido a uma Santidade e recebê-lo, deve-se cumprir o que antecipadamente fora prometido – ou seja, uma troca!

Eu, como muitos peregrinos – continuou – não peço nada, ao contrário, só agradeço.

Portanto em minha vida social, familiar, religiosa ou corporativa, não cultuo o hábito de “fazer promessas”. O que faço é “assumir compromissos”. Compromissos factíveis, éticos. Que sejam antes de tudo, compromissos “comigo mesmo” – sem exigir ou receber qualquer benefício antecipadamente.

__Para mim – disse ele – promessa tem cunho tipicamente religioso, algo que se faz para pagar um pedido, uma súplica.

Já o compromisso tem a ver com determinação, com superação – ou seja – meritocracia!

Portanto – prosseguiu – eu caminho pelo “compromisso” de preservar a centelha magnética da Fé, do Amor e da Fraternidade.

Fonte: Tribuna de São Pedro

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José Palma
José Palma
José Palma, pisciano — nasceu no dia oito de março de 1950 — descobriu que fraternidade era muito mais que uma palavra quando em 1996, realizou o Caminho de Santiago. Empresário, resolveu mudar sua vida após retornar de seu Caminho. Simplificar a rotina e aliviar o peso de sua mochila — uma mudança fácil de planejar e complexa de se executar. Idealizou o Caminho do Sol e desde sua inauguração, dedica-se integralmente ao Caminho e caminhantes. Nesta simbiose, vive intensamente as experiências e o aprendizado de cada peregrino. Continuar sonhando sonhos impossíveis e um dia conseguir tocar o inacessível chão, fazem parte de sua luta, onde a regra é não ceder e sim fazer do “Amor um Vencedor”.

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