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Oncotô proncovô

Nesta mistura de tudo junto na mesma panela, esta culinária peregrina é farta e divertida – um cardápio que atende gostos e gastos de toda espécie humana e sobre humana.

Venha de onde vier goste do que gostar, certamente irá se lambuzar com este imenso aprendizado, porque ao longo do Caminho todos são alunos e mestres frequentam a mesma sala, o mesmo banco e o mesmo Caminho.

O tempero e as porções são as mais variadas, cada um contribui e participa com o que trás na mochila da vida.

Uma porção de receios, duas colheres de dúvidas, uma lata repleta do melhor sorriso, uma colherinha de lágrimas, um pouco de qualidades, uma fatia de stress, uma pitada de dor, meio copo de soberba, uma mão bem cheia de vaidade, um tanto de manias, outro tanto de defeitos, uma colher de sopa de “sou dono da verdade”, um tantão de “sou o melhor” e três colheres de “comigo ninguém pode”.

Em seguida acrescente: muito amor, um monte de fraternidade, bastante humildade, quantidades enormes de acolhimento, amizade da melhor qualidade, fé à vontade, fatias enormes de perseverança, muitos pedaços de autodeterminação, mexa bem e coloque alegria à vontade.

Depois misture brasileiros de todo o Brasil, alemães, austríacos, americanos, argentinos, belgas, espanhóis, franceses, italianos, japoneses, portugueses, venezuelanos e leve-os ao Caminho do Sol – mantenha-os juntos durante onze dias e onze noites aquecendo-os no calor da alma peregrina – até perceber que o olhar ficou sereno, a mochila mais leve e o sorriso mais fácil.

Após muitos quilômetros, quase um milhão de passos, múltiplos abraços, dores, bolhas, agonias, sonhos e pesadelos imagine o sabor deste prato:

Um grupo com seis mulheres e quatro homens – quatro cariocas, uma curitibana e uma paulistas.

O italiano – coitado – querendo porque querendo aprender português foi parar no meio de uma salada gramatical engolindo os temperos que compõem a diversidade regional da língua portuguesa. As cariocas experrrtas carregando nos “erres”.

A curitibana – caprichando e esticando o “e” porque leitee quentee na boca da gentee dói o dentee.

A mineira além de emendar as palavras com um som anasalado adora um cafézim bem quentin – porque é um trem danado de bão, sô!

O baiano – ah! o baiano – ô meu rei! êta cabra arretado de gozadô.

Mas o prato principal deste grupo ficou por conta da pergunta frequente da representante deste querido Estado das Minas Gerais:

__Oncotô proncovô?

Passam-se os dias e curioso o italiano indaga à um dos peregrinos:

__Io non capisco questa peregrina, quante demande – oncotô proncovô? cosa significa?

Sorrindo nosso peregrino aperta a tecla SAP e pausadamente traduz o mineirês:

__ Onde estou? Para onde eu vou?

Fonte: Tribuna de São Pedro

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José Palma
José Palma
José Palma, pisciano — nasceu no dia oito de março de 1950 — descobriu que fraternidade era muito mais que uma palavra quando em 1996, realizou o Caminho de Santiago. Empresário, resolveu mudar sua vida após retornar de seu Caminho. Simplificar a rotina e aliviar o peso de sua mochila — uma mudança fácil de planejar e complexa de se executar. Idealizou o Caminho do Sol e desde sua inauguração, dedica-se integralmente ao Caminho e caminhantes. Nesta simbiose, vive intensamente as experiências e o aprendizado de cada peregrino. Continuar sonhando sonhos impossíveis e um dia conseguir tocar o inacessível chão, fazem parte de sua luta, onde a regra é não ceder e sim fazer do “Amor um Vencedor”.

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