Pizzas redondas – umas tantas de mozzarella, outras tantas para todos os gostos.

Conversas desencontradas sem o menor constrangimento caminham sobre as mesas e buscam os mais distantes ouvidos.

O farfalhar de casos contados entre uma garfada na fatia de portuguesa e um olhar comprido na margherita, desleixadamente assentada no prato vizinho – vez por outra são interrompidos pelo tênue e galhofeiro tilintar das taças.  Um brinde espanhol sempre precedido pelo tradicional mantra peregrino:

__Acima… abajo… e… à dentro!

Um Salve! ao buquê de sua excelência, nascido, criado e envelhecido na Rioja de todos nós, e consagrado pela magnitude da tríade – Picasso, Dali e Miró.

Todos sentem fome de ouvir o que vem de lá e sede de aprender o que ouvem de cá.

Este universo peregrino consegue ser harmoniosamente desalinhado, mas extremamente respeitoso e disciplinado.

Se dois ou mais igualmente destampam suas falas ao mesmo tempo, educadamente aquele que mais elevar os decibéis de sua verborragia faz calar os demais, e por mera desfaçatez irá seduzir o coletivo atraindo a audiência para sua arenga.

Tudo de forma educada e democrática – como bem convém aos comensais aliciados pelo buquê e aroma liberados pelo suco de uva para inglês… beber!

Tudo a seu tempo e… com muito tempo, todos querem sorver o conteúdo encorpado destes cálices de causos e saciar esta sede de sempre ouvir muito e aprender às pencas.

O cardápio além de variado e atrativo traz como prato principal notícias em primeiríssima mão do peregrino jornalista, responsável por produzir um Caderno Especial sobre o Caminho de Santiago para um tradicional jornal do Estado de São Paulo.

Iniciou mencionando nossa velha conhecida ansiedade do “pré-caminho”; Os preparativos físicos e mentais e o friozinho na barriga na hora de embarcar; As muitas lições do Caminho; Os ensinamentos do mestre cajado e da querida mestra mochila. Escreveu um verdadeiro tratado sobre o dia a dia de um peregrino; Deu ênfase à importância e ao verdadeiro significado do desprendimento material; Emocionou-se ao mencionar o acolhimento recebido nos albergues; Revelou que curtiu a rotina de lavar suas roupas e queixou-se das dores nos rins.  Discutiu com suas bolhas e entendeu que precisava conviver em harmonia com todas elas; Tornou-se amigo e um admirador do stress muscular, razão fundamental para seus porres de beta endorfina (hormônio do prazer que modula a dor e o humor. É liberado durante a prática contínua de uma atividade física); Aprendeu a lidar com a ansiedade e a maravilhar-se com a natureza; Viveu e entendeu o significado da palavra fraternidade; Sofreu, chorou, riu; Decepcionou-se quando foi apresentado ao seu “eu”. Ao final morreu e renasceu

Aquietou- se por um tanto e retomou:

__Desculpem isto não é notícia.

No primeiro dia da Faculdade me foi dito e muito bem explicado:

__Noticiar que o cachorro fez xixi no poste não é notícia. Notícia é quando você informar que o poste fez xixi no cachorro.

Fonte: Tribuna de São Pedro