Com passos medidos entre lúgubres e vigorosos, o círculo da vida nos apresenta muitos adjetivos para qualificar as surpresas que ele nos impõe.

Momentos macios como seda ondulada, rudes como os improvisos da idade, tristes como o caos de uma paixão ou alegres como trapaça de palhaço.

Uma alternância para causar inveja à roda gigante, à montanha russa, ou à casa do terror.

Realidade que desafia nossa resiliencia testa nossa fibra, mede a profundidade de nosso orgulho, a largura do nosso sorriso, a dimensão do nosso choro e a estatura da nossa humildade.

A cada lua que surge vamos polindo o casco com os revezes vividos e alegrando o coração com as conquistas conquistadas – felizes como o guerreiro que brande a espada e risca as nuvens para anunciar os louros de seu capitólio.

Colecionar amigos, agregar experiência e novos aprendizados são favos de mel que o mito da vida acomoda no jardim de nossa alma.

Cruzou o caminho do Caminho, regozijou-se junto aos seus quando abriu sua casa e seu coração para acolher nossos peregrinos. Buscou novos leitos para que descansem os ossos, duchas para que tirem o pó, ajeitou uma mesa com fartura suficiente para alimentar a matéria e revigorar o espírito de cada caminhante.

Contador de causos exóticos, cantador de canções encantadoras, tocador de um violão sabido e simpatia contagiante tornou-se referência de bem querer.

Mas a aritmética da vida nos ensina que: “não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe”

Nosso “bem” durou poucos anos – foi intenso, como intensa, pura e sincera foi a amizade que se fundiu entre ele, o Caminho e os caminhantes.

Sr Marino seguiu o caminho que um dia também será o nosso, e nos precedeu no caminho de volta ao Pai!

Mas continuará presente no sorriso aberto, na inusitada coxinha de jaca, no abraço dado e no carinho incondicional orquestrados por Dna Orlandina e seu neto Felipe.

É o DNA do amor incondicional.

Fonte: Tribuna de São Pedro