Casa de Santiago
19 de abril de 2015
Novos valores
20 de maio de 2015
Exibir tudo

O Caminho de Maninha

Uma das historias que mais gosto no livro “O Caminho de Santiago’, do jornalista Sérgio Reis, conta sobre dois italianos que resolveram percorrer o caminho a pé e de carro, levando junto uma enorme cadela de “personalidade extremamente temperamental”. Como os refúgios não aceitam animais, os italianos foram até a Espanha de carro (Sérgio fez o caminho em território espanhol, com ponto de partida em Roncesvalles). Durante o dia, os italianos saiam a pé por seis ou sete quilômetros, deixando a cadela dentro do carro no último refúgio. Depois retornavam para pegar o carro. Faziam isso uma ou duas vezes até o refúgio mais próximo – ou seja, faziam o Caminho duplamente.

Essa viagem canina – que gerava dúvidas nos italianos sobre a possibilidade de chegarem a Santiago de Compostela – foi motivada porque a dona da cadela não tinha como deixá-la para realizar a viagem. E a conclusão do Caminho dependeria da disposição da cadela.

Acho essa história deliciosa porque tenho certeza de que faria a mesma coisa pelas minhas cadelas, caso tivesse que levar uma (ou todas) até Santiago de Compostela. Até a última segunda-feira eu tinha três em casa: uma vira lata de 15 anos, Maninha; uma doberman de seis anos, Lechuga: e uma whippet de dois anos, Filó, muito diferentes entre si e muito amadas por mim e meu filho Caio.

A característica principal da vivência com minha cachorras é que elas tem minha casa como a delas. E isso inclui sofás, poltronas, cozinha, varanda, bancos de madeira. E elas não saem de casa. Apenas Filó, eventualmente, visita meus pais.

Passear com cachorras nunca foi algo que me deixasse à vontade, embora tenha inveja de quem sai com um, dois ou três na guia diariamente. Tenho receio que outros cachorros as ataquem ou dê algo errado. Mas tento proporcionar a elas o melhor que a vida canina pode ter dentro da minha casa. Viajar com elas, então, é uma incógnita para mim.

O destino bateu à minha porta na 2ª feira passada e fez com que eu acompanhasse, em sua primeira e definitiva viagem, minha Maninha. Debilitada por uma doença no coração, Maninha, que chegou em casa com 20 dias de vida, resgatada por mim de um doido que iria jogá-la num córrego, disse adeus depois de tornar-se pele e osso.

Eu já havia lido o livro de Sérgio Reis e me empolgado com a história da cadela italiana. Dentro de mim criei uma nova história, algo parecido para Maninha que teria me acompanhado em sonhos até Santiago de Compostela, depois de fazer os “Onze Dias” comigo, Rafael e Guilherme Stein e após ter conhecido Barão Geraldo, em Campinas, todinho, caminhando ao meu lado. Em cada parada para abastecer, ela sentava ao meu lado e colocava a cabeça sob minha mão. Exatamente como fez em sua despedida.

Carol Silveira
Carol Silveira
Ana Carolina Silveira, sagitariana, jornalista, empresária, acredita que sonhos podem ser realizados, desde que os pés estejam no chão e em movimento. Descobriu, com o Caminho do Sol, que desprendimento, solidariedade, fraternidade, esforço, perseverança e humildade são fundamentais para atingir metas. E que a mente é capaz de encontrar forças que os pés desconhecem.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *