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O caminho de Alice

Como todo grupo este não era diferente – também era diferente de todos os outros.

Ornamentando o conjunto e compondo as peças do quebra cabeça que o enigma do universo produz – brotou neste jardim de seres humanos um oriental e uma Piauiense do decidido (rs!) signo de balança.

Aos olhos insuspeitos do coletivo, o japonês despertava uma distraída curiosidade – talvez seu silêncio abismal escondesse um cabedal de qualidades supremas ou defeitos de dilacerar o coração.

Com uma rara fartura de pensamentos acerbos e disposto a não levá-los de volta à habitação abraçou-se a uma árvore e permaneceu imóvel enquanto os ponteiros do seu relógio insistiam em completar a hora vencendo lentamente cada segundo, até ser despertado pela chegada preguiçosa e sorrateira do experiente e traquejado peregrino, caminhante de muitos caminhos.

Com o corpo colado ao tronco, respirando em sintonia com a frondejante figueira, disse como um Panda que desce a escada:

__ Fui educado dentro dos padrões e da cultura japonesa, que entre outros hábitos nos ensina primeiramente a pensar na sociedade, em segundo lugar, na família e por último, em você.

O Caminho travou em mim esta ordem e vou invertê-la: a partir de hoje vou me colocar em primeiro lugar.

Já a nossa peregrina – uma bronzeada balzaquiana com passos incertos – trazia consigo momentos de total ausência fazendo com que os constantes ressaibos das dúvidas atraíssem confusas reminiscências desenhando em sua aura, traços parciais de suas incertezas – certamente não saberia a diferença entre uma sola rija e um bezerro no pasto.

Em meio a um preguiçoso café da manhã, nossa Piauiense revela não saber que rumo tomar, mas tinha esperança que o cinzel do Caminho esculpisse em sua alma o vulto de um novo ser tirando-a desta incerteza mostrando-lhe o verdadeiro caminho para alcançar seus objetivos.

Excedendo em cuidados e em delicadeza, a peregrina sentada à sua frente disse:

No livro “Alice no País das Maravilhas”, a certa altura Alice pergunta ao gato de Cheschire “que caminho devia seguir dali em diante”.

O gato diz, “depende do lugar aonde você quer chegar”.

Alice responde, “não sei”.

O gato finaliza “Então não importa que caminho você vá tomar”.

Fonte: Tribuna de São Pedro

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José Palma
José Palma
José Palma, pisciano — nasceu no dia oito de março de 1950 — descobriu que fraternidade era muito mais que uma palavra quando em 1996, realizou o Caminho de Santiago. Empresário, resolveu mudar sua vida após retornar de seu Caminho. Simplificar a rotina e aliviar o peso de sua mochila — uma mudança fácil de planejar e complexa de se executar. Idealizou o Caminho do Sol e desde sua inauguração, dedica-se integralmente ao Caminho e caminhantes. Nesta simbiose, vive intensamente as experiências e o aprendizado de cada peregrino. Continuar sonhando sonhos impossíveis e um dia conseguir tocar o inacessível chão, fazem parte de sua luta, onde a regra é não ceder e sim fazer do “Amor um Vencedor”.

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