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Noite feliz

Desde o início do Caminho do Sol, sempre tivemos muita procura por caminhadas durante a passagem do ano.

O interesse maior sempre foi por este período – hoje não mais. O crescente número de bicigrinos que buscam pedalar durante o Natal tem alterado a equivalência numérica entre uma e outra data desta contagiante insanidade.

Este fenômeno trás embutido em si um outro fenômeno – o Aniversariante desta noite enseja um ambiente familiar, intimista, repleto de amor, que deve agregar a família para uma ceia farta – que alimente  a matéria e a alma.

Para esta reflexão preciso vestir a armadura do atrevimento,  questionar a afirmação que: “maturidade vem com a idade”.

O que leva as pessoas jovens, a ignorarem a agenda dezembrina e optarem por um programa que as deixem distantes dos afazeres do bom velhinho, dos enfeites coloridos – penduricalhos de um pinheirinho amputado e privado de sua vocação maior – transmutar-se em celulose.

Que motivos teriam estes jovens, ainda oscilando entre o “antes” dos vinte, e pouco “depois” dos trinta – a sacarem suas bikes da garagem e se mandarem para buscar o abrigo fraterno da solitude.

_Por que deixam suas famílias, negam as ondas, fogem das areias brancas – douradas pelo mesmo sol que internacionalizou a garota de Tom Jobim e Vinicius de Moraes – para dedicarem-se a um pedal no meio do nada?

Desconfia este velho peregrino que trás consigo um par de pés cansados de caminhar pela vidafora; Arcado pelo peso dos erros que a vida colocou em sua mochila; Apoiado em um cajado longevo – que suporta esta carcaça vestuta; Tenho para mim, que estes jovens pretendem segregar esta subespécie que valoriza o “eu” e despreza o “coletivo”, que prefere “rir dos outros” e não “rir com os outros”, que elege o próprio umbigo como “centro pleniponteciário do universo” – habitado em grande parte por esta gente imoral e amoral

Uma sub-raça que cultua a ganância e o materialismo. Seguramente seres preenchidos pelo vazio da fé, imunes a atitudes éticas, que vieram a este mundo sem o DNA da dignidade.

Carregam estes jovens uma maturidade precoce, certamente chegada sem ter que passar pelos perrengues da vida.

Pedalam movidos pela energia daqueles que não aceitam tanto desamor. Pedalam movidos pela esperança de quem quer ser agente ativo de uma mudança real – para melhor. Pedalam porque buscam novos caminhos, novos métodos, novos valores que conduzam a um novo tempo.

Um tempo onde possam criar seus filhos a céu aberto.

Cantemos então:

Noite feliz noite feliz

Ó Senhor, Deus de amor…

Fonte: Tribuna de São Pedro

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admin
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Onze Dias pelo Caminho do Sol. 241 quilômetros entre Santana do Parnaíba e Águas de São Pedro, no interior de São Paulo. A viagem de três amigos pelo Caminho do Sol deu origem a uma plataforma multimídia estruturada inicialmente na internet, com site e redes sociais, que contará com a publicação de um livro detalhando a peregrinação e servindo de inspiração e guia para pessoas que pretendam percorrer o Caminho do Sol.

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