A confusão entre andar e caminhar sempre está presente na mochila dos futuros peregrinos.

Da mesma forma – muitas pessoas que habitam a geografia deste universo cósmico entendem que romaria e peregrinação são um só corpo – seres que andam babando de fadiga e de calor!

Na verdade são iguais – mas diferentes! 

Ambas abastecidas pela fé e determinação – possuem motivações específicas e razões absolutas.
O primeiro tem como objetivo chegar a uma das centenas de centros religiosos que no Brasil levam milhares e milhares de romeiros à Basílica Nossa Senhora Aparecida, à Pirapora do Bom Jesus, à Festa do Círio de Nazaré, à Juazeiro do Norte – ao “Padim” Padre Cícero e à uma infinidade de outros destinos religiosos.
As peregrinações à Santiago de Compostela, à Via Francígenna até Jerusalém e à Assis são as mais conhecidas.

Diferentemente do peregrino, a grande maioria dos romeiros faz o percurso para pagar uma promessa e agradecer uma graça alcançada, muitos o fazem com grande sacrifício físico – carregando pesadas cruzes de madeira.

Via de regra a romaria é realizada em grupo, muitos com estrutura de apoio e cozinha de campanha.
Para escapar dos rigores do sol escaldante, ou para antecipar a chegada ao destino seguem caminhando noite adentro descansando e fazendo suas refeições em postos de gasolina, praças, chácaras ou fazendas que tradicionalmente os recebem de forma extremamente carinhosa.
O romeiro quer chegar – o peregrino quer estar!

Aí reside a grande diferença – a caminhada do peregrino é contemplativa, às vezes portando um silêncio abismal. O óxido do tempo, os favores fáceis, a simplicidade, o acolhimento e a fé – vão moldando a arquitetura de um novo ser.
Porém ambos de movem dando um passo de cada vez e com uma crítica estética se comovem diante das confissões de humildade e das palavras repetidas no espelho do corpo.

Fonte: Tribuna de São Pedro