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A luta pela sobrevivência de um estabelecimento histórico da cidade de Itu

No dia 30 de outubro deste ano, o Armazém do Limoeiro, um dos tradicionais pontos turísticos da cidade, encerrou suas atividades.

Fundado no ano de 1901, por Luiz Almeida Silveira, conhecido como “Nhô Luiz”, o local contou até 1934 com três funcionários: os irmãos Luiz, Fernando e Francisco Nunes que, após aquele ano, assumiram a propriedade do armazém, situado nas dependências da Fazenda Limoeiro da Concórdia, herdando o estabelecimento de seu fundador.

Neta de Luiz, a atriz Débora Nunes explica o surgimento dessa história. “Meu bisavô conheceu Nhô Luiz quando a família procurava serviço nas fazendas, assim como outros imigrantes italianos. Foi assim que meu avô e seus irmãos começaram a trabalhar no balcão do armazém. Naquela época não havia lei trabalhista, então patrão e empregado tratavam por si as questões. Eles iniciaram o trabalho lá em 1919 e, em 1934, após adoecer, Nhô Luiz pediu para que, em caso de seu falecimento, deixasse o estabelecimento para os irmãos Nunes. E foi justamente o que aconteceu”, relata.

Sob a direção dos irmãos Nunes, o local passou a atender as fazendas da região com diversas mercadorias, como vassouras, gaiolas, baldes e xícaras, dentre outras coisas.

Porém, após um longo período de atividade, o Armazém do Limoeiro enfrentou sua primeira adversidade. “Após a morte de meu avô e de seus irmãos, somada ao êxodo rural, o estabelecimento ficou fechado por aproximadamente 20 anos”, diz Débora.

Mudança ao longo do tempo

Após duas décadas inativo, o local foi resgatado por meio da própria família Nunes, com Clemente (filho de Luiz) e sua esposa Maria Cecília (Lala) reativando o armazém, o tornando um dos pontos de referência do turismo em Itu. “A volta do armazém, sob direção de meus pais, não foi como na época de meu avô; muitas mudanças aconteceram. Foi mantido todo o conceito de armazém, com a diferença que o local se tornou um ponto de parada. Por exemplo, José Palma, idealizador do ‘Caminho do Sol’, colocou o Armazém como um do pontos de parada e isso fez com que pessoas de diversas partes viessem para cá, conhecessem o local e continuassem frequentando”, conta Débora.

A atriz comenta outros fatores de relevância na história do estabelecimento. “A Trilha do Limoeiro, onde se percorre 28 km de bike, fez com que o pessoal conhecesse nosso armazém também, servindo de ponto de encontro. Posteriormente, as pessoas passaram a realizar atividades como ‘Pedal na lama’, ‘Pedal noturno’, ‘Pedal Diurno’, para aproveitar o ambiente e o nosso espaço. Além disso, o Armazém estava inserido no ‘Roteiro Caipira’ e, desde 2013, minha filha Rebeca e eu fazíamos apresentações, juntamente com repentistas e o pessoal da viola caipira, fazendo mesmo um resgate dessa nossa cultura caipira, que infelizmente está se perdendo. Passamos a ser destaque em mídias impressas e televisas”.

Estrutura comprometida

Apesar do resgate e da manutenção da cultura caipira, o estabelecimento sofreu seu segundo importante golpe: no último dia 30, o local encerrou suas atividades. “O armazém estava sempre lotado, mas isso não queria dizer que estávamos faturando, pois como era um ponto de passagem, muitas pessoas estavam ali, porém não paravam para consumir. Além disso, o estabelecimento não estava mais tendo condições para atender a procura. Toda a estrutura do estabelecimento tem mais de 115 anos. Necessita-se de uma reforma nas janelas, no teto. Enfim, não havia mais condições”, destaca Débora.

“É um lugar histórico, bonito, bacana, mas não dava mais. Tem que ter dinheiro para investir, fazer manutenção, restauração. Não estávamos faturando o suficiente para nos mantermos e pagarmos as contas. Então decidimos parar agora, antes que vire uma ‘bola de neve’. Outra coisa: não estávamos com uma cozinha adequada para a demanda, precisávamos ampliar”, acrescenta Rebeca Nunes Steiner, filha de Débora, enumerando as dificuldades enfrentadas que levaram ao fechamento do estabelecimento.

Ajuda de amigos

Diante disso, clientes e fãs do trabalho apresentado pela Família Nunes, Caio Cunha e sua esposa Mariana Rodrigues decidiram ao menos tentar que o encerramento das atividades no Armazém do Limoeiro seja momentâneo, criando uma campanha na plataforma de financiamento coletivo Catarse, com o intuito de arrecadar a verba necessária para o pagamento das dívidas e a realização das reformas para a reativação do estabelecimento.

A ação funciona da seguinte forma: qualquer pessoa pode doar uma quantia em dinheiro (valor mínimo de R$ 10,00 para auxiliar no projeto. Porém, no Catarse, o limite de arrecadação a partir do início da campanha é de 50 dias. “Temos até o dia 28 de dezembro para atingir a meta estipulada, que é de R$ 99 mil, calculando os compromissos com fornecedores, juntamente com os custos das obras. Caso não seja possível essa arrecadação, utilizaremos o que for conseguido para quitar os parcelamentos com nossos fornecedores, zerar esse compromisso e infelizmente manter o armazém fechado. É importante dizer que, ao final da campanha, toda a aplicação do dinheiro é justificada”, explica Débora, que ressalta que o dinheiro arrecadado é para investimento no Armazém do Limoeiro, no CNPJ do estabelecimento.

Os interessados em participar da campanha “SOS Armazém do Limoeiro” devem acessar https://www.catarse.me/pt/sos_armazem_do_limoeiro_69c6?ref=ctrse_explore_pgsearch e conferir mais informações.

Fonte: Periscópio Jornal do Povo

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