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Insuportável ou opcional

No Caminho tudo vira uma enorme plantação de abobrinhas, enquanto caminhamos seguimos adubando o solo e fortalecendo a colheita, com teses, argumentos, contos, histórias e estórias para que a produção seja fértil e próspera e que possam ser colhidas as mais lindas e gigantes abobrinhas, recheadas com as melhores temperanças que os causos lhes puderem dar.

Vez por outra a cenografia é tão eloqüente, que à distância parece uma briga real – quando na verdade não passa de um simples exercício verborrágico entupido de adrenalina discutindo o manejo da criação de elefantes siameses.

Penetram em suas teses como se não houvesse amanhã, não sei se para esquecer suas assaduras, se são explosões inexplicáveis de sinceridade ou simplesmente a busca de uma absolvição interna.

Nesta enorme vitrine temos consultores de palpites sobre o barro das minhocas, doutores nadando em um oceano de razão, quem encare o grotesco como uma ciência exata, ou simplesmente quem morreu pela primeira vez.

Mas como a doçura nunca acaba com o mel, segue atento o experiente peregrino.

Ouve quem tiver ouvidos para ouvir – a tarefa é encaixar peças desconectadas, captar meias palavras e tentar resolver as equações propostas pelo Universo

A catilinária era única e constante. A estória repetitiva da caminhante que teve o filho atropelado e estava sob um severo e diário programa de fisioterapia – muito embora o tratamento estivesse sendo pago pelo seguro do atropelante – que chamou para si a responsabilidade de pegar o rapaz em casa, levá-lo até a clínica e terminada a sessão deixá-lo novamente em casa.

Mesmo com a fisioterapia seu filho não iria recuperar-se totalmente, mas poderia levar uma vida normal com as limitações que as fraturas e as cirurgias provocaram.

Ela seguia falando com muita mágoa sobre o acidente e suas conseqüências.

Numa destas conversas após jantarem – nosso peregrino a interrompeu enquanto pela enésima vez ela voltava ao tema e lhe disse com a mesma doçura que não acaba com o mel:

_ A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional!

Fonte: Tribuna de São Pedro

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José Palma
José Palma
José Palma, pisciano — nasceu no dia oito de março de 1950 — descobriu que fraternidade era muito mais que uma palavra quando em 1996, realizou o Caminho de Santiago. Empresário, resolveu mudar sua vida após retornar de seu Caminho. Simplificar a rotina e aliviar o peso de sua mochila — uma mudança fácil de planejar e complexa de se executar. Idealizou o Caminho do Sol e desde sua inauguração, dedica-se integralmente ao Caminho e caminhantes. Nesta simbiose, vive intensamente as experiências e o aprendizado de cada peregrino. Continuar sonhando sonhos impossíveis e um dia conseguir tocar o inacessível chão, fazem parte de sua luta, onde a regra é não ceder e sim fazer do “Amor um Vencedor”.

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