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Ho´oponopono

Com os miolos cozidos e marinados pelas constantes horas “caminhando contra o vento, sem lenço sem documento no sol de quase dezembro”.  Saudoso e revolucionário 1967 – tão distante e tão próximo – salve! Caetano Veloso.

O calor que cozinha os pés escala a panturrilha e segue até queimar os meniscos, deixando-os em estado de erupção – prova maior que a temperatura corporal permite fritar um ovo na testa.

A linha que divide o real do imaginário é tênue e tortuosa. A seta brilhante e dourada indica o oásis onde descansam as grandes pedras que guardam uma água geladinha – basta abri-las e matar a sede. Alucinação transitória ou um devaneio provocado pelo cansaço e excesso de beta endorfina?

Ó mente, por que mentes?

O horizonte é testemunha real e verdadeira a nos indicar que o que estava perto mudou seu status para: longe – muito longe!

Os ponteiros conversam entre si combinando quem será o primeiro a anunciar o almoço que está por vir – ou será um almojanta?

Pacientemente aguardou o momento exato da “prescrição do delito” para enfiar-se embaixo de uma ducha relaxante. Em seguida optou por acomodar o esqueleto no velho colchão, ao invés de dizimar de imediato seu arroz com ovo. Parece uma inverdade, mas acredite – palavra de quem já moeu muitos quilômetros dando um passo de cada vez – uma cochilada pós-banho ou pré-refeição é a preferência de dez entre dez peregrinos.

Dores que maltratam os músculos e incomodam a alma nos educam para conviver com as diferenças, a perceber como é difícil lidar com as coisas fáceis e simples, a vivenciar o desprendimento material, a entrar em contato com as nossas sombras, a ficar desnudo, sem as couraças que nos protegem no dia a dia, a cuidar das bolhas de tipos, tamanhos e locais diferentes somam-se a tantos outros motivos que deixam a sensibilidade à flor da pele.

Não se irritava ou dava demonstrações de algum desagrado.

Jamais permitiu que seu estado de felicidade fosse terceirizado.

Como curiosidade é uma qualidade nata do ser humano, buscou-se um dia saber qual o motivo do semblante sempre calmo, sorriso aberto no peito, gestos pausados, olhar sereno, senhor de uma palavra generosa – sentinela atenta e disponível para quem dela precisasse.

Em 2006 quando percorreu o Caminho de Assis – uma peregrina lhe ensinou o “ho´oponopono” – uma prática havaiana que consiste na constante repetição de quatro afirmações que nos proporcionam serenidade, equilíbrio, compreensão, capacidade para perdoar e pedir perdão; Trazendo à lembrança situações pelas quais passamos que precisam ser sacadas de nossa memória substituindo-as pela nulidade que deixe o fígado sem um passivo verde, e construa um coração vermelho pulsando amor.

Independentemente de sua crença ou religião repita incessantemente:

Eu te amo, sou grato, sinto muito, me perdoe.

Vamos todos!

Fonte: Tribuna de São Pedro

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José Palma
José Palma
José Palma, pisciano — nasceu no dia oito de março de 1950 — descobriu que fraternidade era muito mais que uma palavra quando em 1996, realizou o Caminho de Santiago. Empresário, resolveu mudar sua vida após retornar de seu Caminho. Simplificar a rotina e aliviar o peso de sua mochila — uma mudança fácil de planejar e complexa de se executar. Idealizou o Caminho do Sol e desde sua inauguração, dedica-se integralmente ao Caminho e caminhantes. Nesta simbiose, vive intensamente as experiências e o aprendizado de cada peregrino. Continuar sonhando sonhos impossíveis e um dia conseguir tocar o inacessível chão, fazem parte de sua luta, onde a regra é não ceder e sim fazer do “Amor um Vencedor”.

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