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Etapas – o melhor de você

A Universidade “Caminhos da Vida” cresce mais que dívida de cartão de crédito.

A cada ano a quantidade de calouros aumenta – estes fantásticos “alunominhantes” mergulham com os pés e a alma na busca da melhor lida para sanear os males do “ter”. Ao passo dado conseguem perceber as maravilhas da natureza – entendem o que é de fato exercer o despojamento material. Aulas de “per si” para compreender que fraternidade não é somente uma palavra. Muitos conseguem identificar os traços parciais que distinguem solidão de solitude. Os muitos quilômetros ensinam a explorar as veredas da autodeterminação e a desbravar as cavernas onde hiberna a superação. A dura realidade de enxergar que a vida vai muito além do próprio umbigo. Técnicas nunca antes vivenciadas para controlar a ansiedade e outros eteceteras são matérias que cuidam da metamorfose para elevá-los à categoria de verdadeiros “seres humanos” – algo tão difícil de alcançar como a rigidez que segrega a maioria dos coronéis de encerrar sua carreira alcançando o generalato. Mutatus mutandis seria como a apoteose de um espermatozóide anacoreta que se supera alcançando o ovário para fecundar.

Já no quarto dia, nosso peregrino – caminhante do caminho primeiro – dedicou-se a comparar as dificuldades que o perseguiram em cada uma das etapas. De início a mensagem do cérebro é: “você não vai conseguir” – mas a vergonha, o orgulho e seguramente a obstinação recheada com camadas de superação e salpicada com porções de autodeterminação reúnem força e energia para vencer o inimigo da vez.

Na segunda etapa, a ansiedade, o frio na barriga, a desconfiança crescente do “vou desistir” – a seqüência das duras subidas e de muitas outras estranhezas é substituída pelo sorriso branco e escancarado da chegada.

Na etapa terceira, o desconforto do asfalto parece deixar os pés em constante ebulição, as peias da mochila incomodam, o cajado pesa e o corpo clama pelo retorno à rotina. E assim dia a dia, etapa por etapa, chegou ao final – venceu suas sombras, exorcizou suas frustrações, arrependeu-se de seus erros, lembrou-se de fatos trancafiados no âmago de suas entranhas. Leu o céu, conversou com o dedinho do pé, chorou, riu, teve plena consciência que só venceu porque deu o “melhor de si”.

Opa! – já vivi isto antes.

Sim – na dura labuta para conquistar uma vaga na Faculdade de Medicina – quantas e difíceis etapas – uma árdua batalha, para anos depois conquistar o pré nome “Doutor”.

Lembrou o mantra do Cursinho – repetido no ônibus, no chuveiro, cantarolando enquanto o sono não o possuía – almoçar mastigando as letras e jantar engolindo a frase.

“Etapa – o melhor de você em você mesmo”.

Fonte: Tribuna de São Pedro

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José Palma
José Palma
José Palma, pisciano — nasceu no dia oito de março de 1950 — descobriu que fraternidade era muito mais que uma palavra quando em 1996, realizou o Caminho de Santiago. Empresário, resolveu mudar sua vida após retornar de seu Caminho. Simplificar a rotina e aliviar o peso de sua mochila — uma mudança fácil de planejar e complexa de se executar. Idealizou o Caminho do Sol e desde sua inauguração, dedica-se integralmente ao Caminho e caminhantes. Nesta simbiose, vive intensamente as experiências e o aprendizado de cada peregrino. Continuar sonhando sonhos impossíveis e um dia conseguir tocar o inacessível chão, fazem parte de sua luta, onde a regra é não ceder e sim fazer do “Amor um Vencedor”.

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