Faz parte da nossa rotina conversar com peregrinos e peregrinas que concluem o Caminho do Sol, pois além do tradicional e domingueiro “cafécomprosa” temos o privilégio de poder conviver com este universo invulgar formado por uma malha de gente simples com alma de gente simples, que traz em sua mochila o despertar do filósofo, do artista, do poeta, do pensador, do escritor, do matemático, ou sei lá do que. Doutores de muitas ciências – exatas humanas ou nenhuma – mas sempre atentos à arte do aprender e ao desejo de poder trocar a boa troca – sempre com equilíbrio, humildade e sensatez.

À medida que os passos dados colecionam metros e fabricam quilômetros, toca o sino que desperta a criança interior e tem início o recreio – brincam e se encaixam os intrincados fractais do caleidoscópio da vida, desencadeando o processo de simbiose e gestação de um novo ser.

Tomo posse do atrevimento e desfaçatez que os quilômetros percorridos somados aos meus calos auriculares, verdadeiros alicerces que suportam e harmonizam a arquitetura do meu currículo – e me permito substituir a palavra “pensador” pela palavra “peregrino” ao citar o filósofo chinês Lin Yutang (1895 – 1976).

…”O peregrino é como o bicho da seda, que não nos dá folhas de amoreira, mas seda”.

Neste momento, Dr. Albert Feliú, psicólogo e investigador pós-doutorado no Hospital Parc Sanitari Sant Joan de Déu (Barcelona), juntamente com outros profissionais da Universidade de Zaragoza e da U.S.P. Universidade São Paulo com a colaboração das Associações de Amigos do Caminho de Santiago do Norte estão iniciando um estudo para avaliar os efeitos que os caminhos contemplativos exercem para o bem estar e uma melhor  qualidade de vida.

Por oportuno caro leitor sendo você principiante, veterano ou aspirante a caminheiro e queira participar basta acessar o site www.estudiocamino.org e responder ao questionário – aproveite esta oportunidade e invista uns poucos minutos do seu tempo – sua contribuição será importante para que este estudo seja cientificamente validado.

Não tenho ainda clareza suficiente para afirmar se os passos agregam à vida ou se à vida se agregam os passos.

Mas tenho sim, uma clareza clara como o alvorecer do pós-caminho que ao caminhar somos todos vítimas e sicários da “deslembrança” – porque o “corpo está presente, mas a mente está em outro lugar”.

Fonte: Tribuna de São Pedro