Oração a Santiago
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Depois do depois

O azul sempre predominou suas vestes.

Estava vestindo azul.

Sempre sorriu para a vida.

Estava sorrindo para a morte.

Semblante sereno – como sereno viveu.

Para nós que desfrutamos juntos, o mito da vida durante uma gleba de 34 anos, um momento negro como asa de corvo.

A alma tomada por um laivo de essência malcheirosa, um amálgama de luz e cinzas, de lodo e néctar.

Uma dor rasgada, expirando eflúvios de tristeza, coando apenas uma réstia deste invólucro terrestre.

A centelha que empurra o tempo atropela e assusta este adeus como os cachos da larva de um vulcão.

Interrogando a mansidão da memória fui buscar o alívio das boas recordações.

Amigo leal, dedicado, irmão querido, sabedoria nata de quem mal sabia assinar o nome, conselheiro de bons conselhos, sorriso largo; Onde estivesse estariam também o tucano, a arara e outros pássaros. Sua sensibilidade fez com que lágrimas brancas banhassem sua face quando o bezerro recém parido, trêmulo e desengonçado equilibrou-se em seus dois pares de patas.

Peregrino sem caminho; Voluntário, anjo, hospitaleiro; Deixou suas pegadas em nosso chão, bordou e cuidou das setas que balizam os passos dados.

Choramos todos, choram meus filhos, choram seus filhos.

Choram os peregrinos, chora o Caminho.

Sorri o céu!

Vai lá, grande e querido Manoel, você simplesmente nos precedeu!

Siga com seu sorriso branco, com a alegria da criança que abre seu presente, com a simplicidade de seus gestos; Borde as setas deste Caminho Celestial, que um dia todos haveremos de trilhar.

Fonte: Tribuna de São Pedro

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José Palma
José Palma
José Palma, pisciano — nasceu no dia oito de março de 1950 — descobriu que fraternidade era muito mais que uma palavra quando em 1996, realizou o Caminho de Santiago. Empresário, resolveu mudar sua vida após retornar de seu Caminho. Simplificar a rotina e aliviar o peso de sua mochila — uma mudança fácil de planejar e complexa de se executar. Idealizou o Caminho do Sol e desde sua inauguração, dedica-se integralmente ao Caminho e caminhantes. Nesta simbiose, vive intensamente as experiências e o aprendizado de cada peregrino. Continuar sonhando sonhos impossíveis e um dia conseguir tocar o inacessível chão, fazem parte de sua luta, onde a regra é não ceder e sim fazer do “Amor um Vencedor”.

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