O azul sempre predominou suas vestes.

Estava vestindo azul.

Sempre sorriu para a vida.

Estava sorrindo para a morte.

Semblante sereno – como sereno viveu.

Para nós que desfrutamos juntos, o mito da vida durante uma gleba de 34 anos, um momento negro como asa de corvo.

A alma tomada por um laivo de essência malcheirosa, um amálgama de luz e cinzas, de lodo e néctar.

Uma dor rasgada, expirando eflúvios de tristeza, coando apenas uma réstia deste invólucro terrestre.

A centelha que empurra o tempo atropela e assusta este adeus como os cachos da larva de um vulcão.

Interrogando a mansidão da memória fui buscar o alívio das boas recordações.

Amigo leal, dedicado, irmão querido, sabedoria nata de quem mal sabia assinar o nome, conselheiro de bons conselhos, sorriso largo; Onde estivesse estariam também o tucano, a arara e outros pássaros. Sua sensibilidade fez com que lágrimas brancas banhassem sua face quando o bezerro recém parido, trêmulo e desengonçado equilibrou-se em seus dois pares de patas.

Peregrino sem caminho; Voluntário, anjo, hospitaleiro; Deixou suas pegadas em nosso chão, bordou e cuidou das setas que balizam os passos dados.

Choramos todos, choram meus filhos, choram seus filhos.

Choram os peregrinos, chora o Caminho.

Sorri o céu!

Vai lá, grande e querido Manoel, você simplesmente nos precedeu!

Siga com seu sorriso branco, com a alegria da criança que abre seu presente, com a simplicidade de seus gestos; Borde as setas deste Caminho Celestial, que um dia todos haveremos de trilhar.

Fonte: Tribuna de São Pedro