Depois do depois
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Depois do depois, do depois… do depois

Assim como nada é tão bom que não possa melhorar, nada é tão triste que consiga esgotar as lágrimas do amanhã.

Enquanto respiramos seguimos juntos com Caetano o “Veloso” até que a vida pare de nos empurrar, porque: “atrás do trio elétrico só não vai quem morreu… e aprendeu que é do outro lado, do lado de lá, do lado que é do lado de lá”

Como uma catástrofe sem vilões, a geometria do destino por vezes nos apresenta polígonos com cantos ponte agudos – que nos cortam, ferem e machucam.

Um verdadeiro pé no peito que nos faz parar.

Quem leu meu último artigo sentiu a negritude do teclado e volveu os olhos para meu ser saturado de amargura.

Após o ritual que separa a matéria da essência, a sensação é de uma embriaguês com a mais ordinária zurrapa de taberna.

Além da bem querência com os animais, desde o quarto final do século XX, Manoel tinha a arara como o ídolo de sua alma.

Um pai amoroso.

A ela dedicou-se muito antes que seu corpo desnudo vestisse uma plumagem talhada com o azul diáfano do céu e o amarelo opulento do sol que ilumina este Caminho; Adornando seu rosto, o amálgama da natureza bordou uma linda máscara branca.

Porém, a marcha dos dias e o calendário da vida nos fazem perceber que vivemos em um mundo alegórico e abstrato com metáforas de realismo e paisagens imaginárias.

Entendi que depois do depois, existe um outro e amargo depois.

O sabor do desconhecido é irmão do proibido e nos obriga a ter dois ombros para a cruz e dois peitos para a alegria.

Inesperadamente ela lançou-se ao desconhecido – um vôo cego e irracional, como irracional foi seu desfecho.

Babujando, como quem adula a seda contemplo o firmamento.

Um chumaço de estrelas borrifa uma labareda oculta sobre a dupla, lançando um laivo de perfume branco e puro como o lírio.

Um fanal divino os ilumina e me faz vê-los unidos, como unidos sempre estiveram.

Viveram juntos –continuam juntos.

Estão felizes como felizes viveram.

Seguem acomodados no flutuante colo de um cisne – livres neste novo e leve Caminho Celestial.

Fonte: Tribuna de São Pedro

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José Palma
José Palma
José Palma, pisciano — nasceu no dia oito de março de 1950 — descobriu que fraternidade era muito mais que uma palavra quando em 1996, realizou o Caminho de Santiago. Empresário, resolveu mudar sua vida após retornar de seu Caminho. Simplificar a rotina e aliviar o peso de sua mochila — uma mudança fácil de planejar e complexa de se executar. Idealizou o Caminho do Sol e desde sua inauguração, dedica-se integralmente ao Caminho e caminhantes. Nesta simbiose, vive intensamente as experiências e o aprendizado de cada peregrino. Continuar sonhando sonhos impossíveis e um dia conseguir tocar o inacessível chão, fazem parte de sua luta, onde a regra é não ceder e sim fazer do “Amor um Vencedor”.

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