Valeu gran
2 de julho de 2017
Caminhada cognitiva
18 de setembro de 2017
Exibir tudo

De quem é a culpa

Uma das características, que vez por outra me coloca em alguma situação desconfortável é ser desbragadamente desorganizado e esquecido.

Mas como temos que botar o universo a nosso favor, ela às vezes proporciona algumas vantagens.
E as surpresas sempre acontecem – foi procurando uma coisa, que acabei encontrando outra.

Chafurdando meus armários em busca de um documento, dei de cara com os manuscritos que antecederam meu 1º caderno de anotações – matéria prima essencial aos artigos que escrevo para o Jornal Tribuna.

E olha que eu já tinha investido boa parte do meu tempo garimpando cada centímetro de armário do meu cacíforo, em busca deste importante acervo.

Emoldurada em vermelho, estava lá devidamente grifada uma das primeiras anotações – colhida logo no terceiro café peregrino – aquele mesmo das manhãs dominicais.

Parte desta engraçada estória – que estava em outro caderno – já contei para vocês.

Uma peregrina médica, engraçadíssima – utilizava muito o termo “convênio” em quase todas as suas frases.

Afirmava que tinha feito convênio com a alegria, com prosperidade e assim por diante.

Quando errava ou algo não dava certo, afirmava categoricamente que não tinha feito convênio com a tristeza, com a doença, com o sofrimento e por aí afora – e sistematicamente colocava a culpa em alguém.

Assim, a cada passo e a cada dia surgiam muitos culpados por seus desatinos.

A quem reclamasse, ela dizia de forma peremptória e com seu forte sotaque nordestino:

__Não foi minha culpa, você é que é o (a) culpado (a) foi você quem errou.

Sucederam-se as culpas, os quilômetros, os dias, as muitas brincadeiras e risadas.

Domingo pela manhã durante nosso café, caprichando no gostoso sotaque conta-nos esta doutora, que após muitos anos de terapia resolveu dar alta à psicóloga e adotou um critério interessante e brincalhão para racionalizar suas questões de culpa advindas dos constantes erros e equívocos.

Toma um gole de café, escala a autoridade que o diploma lhe confere e lá do alto – dá um gostoso sorriso e diz:

__A culpa é minha e eu a coloco em quem eu quiser.

Pois é meu caro leitor – nós aqui, com tantos pruridos – viu como é fácil?

Fonte: Tribuna de São Pedro

Veja também

José Palma
José Palma
José Palma, pisciano — nasceu no dia oito de março de 1950 — descobriu que fraternidade era muito mais que uma palavra quando em 1996, realizou o Caminho de Santiago. Empresário, resolveu mudar sua vida após retornar de seu Caminho. Simplificar a rotina e aliviar o peso de sua mochila — uma mudança fácil de planejar e complexa de se executar. Idealizou o Caminho do Sol e desde sua inauguração, dedica-se integralmente ao Caminho e caminhantes. Nesta simbiose, vive intensamente as experiências e o aprendizado de cada peregrino. Continuar sonhando sonhos impossíveis e um dia conseguir tocar o inacessível chão, fazem parte de sua luta, onde a regra é não ceder e sim fazer do “Amor um Vencedor”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *