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Como escolher a sua Mochila?

Uma das qualidades essenciais de uma mochila é que ela tenha o conceito de ERGONOMIA. Ele refere-se à ajustabilidade dos objetos à anatomia humana. No caso da mochila ele é fundamental. Proporcionar transporte de carga em harmonia com a constituição física humana é a principal função da mochila. Na hora de escolher a sua, preste muita atenção em como ela se ajusta às costas e aos quadris. As mulheres devem verificar se a curvatura das alças não está incomodando na altura dos seios. Depois de algumas horas de caminhada, alças inadequadas podem machucá-los. Assim, experimente todas as mochilas que você puder, não leve só em consideração que a mochila funcionou bem com outra pessoa. O que foi bom para mim, pode não ser bom para você.

Outra coisa importante é o volume lateral. Bolsos laterais e traseiros são interessantes para separar a bagagem e manter determinados itens sempre à mão. Entretanto, bolsos externos podem se enroscar facilmente quando se caminha em trilhas fechadas ou atrapalhar a locomoção em lugares muito movimentados como rodoviárias e aeroportos. O ideal é que a mochila seja mais estreita que seus ombros, mais baixa que sua cabeça e tenha perfil achatado sem bolso traseiro. Os modelos com bolsos destacáveis, que podem ser usados como pequenas mochilas de ataque são muito interessantes, assim como as que têm zíperes nas partes superior e inferior.

O que uma mochila deve ter?

  1. Barrigueira: tira ajustável na cintura. Deve ser larga e acolchoada, para aumentar a capacidade de carregar pesos maiores sem machucar a cintura e sem comprometer o equilíbrio. Deve ficar logo acima do osso ilíaco (os dois ossos proeminentes na frente do quadril), área onde a região pélvica começa a ficar mais larga, permitindo uma fundação estável e forte para a mochila. Dica: mantenha a mochila próxima ao corpo, mas não aperte muito o cinto, pois pode incomodar e até machucar. (ela deve estar firme, mas não muito apertada)
  2. Alças acolchoadas: mochila grande, peso grande. Portanto, as mochilas devem ter alças largas anatômicas, acolchoadas e com ajuste (tiras finas e duras podem machucar o ombro e deixar o peso mais difícil de carregar).
  3. Painel nas costas: camada fina, mas resistente, feita geralmente de polietileno de alta densidade. Isso acrescenta rigidez à estrutura sem acrescentar peso, deixando a mochila mais firme (reta) e evitando que os objetos dentro da bolsa fiquem “cutucando” as costas. Algumas já vêm com uma armação.
  4. Protetor das costas: algumas mochilas de estrutura interna oferecem um painel de espuma até a metade das costas, em uma tentativa de separar a mochila das costas e melhorar a circulação de ar. No entanto, esse sistema não ajuda muito – em longas caminhadas ou atividades mais puxadas é inevitável ficar com as costas suadas.
  5. Sistema de suspensão: são diversas tiras com ajuste, localizadas nos ombros, no dorso e na cintura (apoio lombar, apoios dorsais laterais, estabilizadores superiores e laterais e estabilizador peitoral). Essas tiras permitem que o peso seja reposicionado e distribuído entre ombros, costas e quadris, deixando a mochila mais leve e fácil de carregar.
  6. Revestimento: como as mochilas com sistema de ajuste costumam ficar mais próxima ao corpo, é normal que as costas fiquem mais quentes e suadas. Portanto é interessante escolher uma mochila com revestimento Dry System em todas as partes em contato com o corpo, para melhor absorção do suor e ventilação.
  7. Material: as mochilas modernas geralmente são feitas de nylon ou Cordura, que são tecidos fortes, resistentes, leves, e com um bom acabamento. Ambos resistem bem à abrasão e à água (é claro que você não vai poder mergulhar em um rio com a mochila ou pegar uma tempestade.. .).
  8. Compartimento para água e sistema de hidratação: algumas mochilas possuem vários bolsos externos laterais e outros compartimentos onde é possível guardar uma garrafa de água e pegá-la facilmente no momento da sede. Outras possuem dois bolsos laterais de tela elástico onde é possível acomodar duas garrafas pequenas de água, deixando-as mais à mão. Algumas mochilas modernas já vêm equipadas com sistema de hidratação, ou seja, um compartimento interno para depositar uma bolsa ou reservatório de água e uma pequena abertura para passar o longo e flexível canudo com tampa, que pode ser levado à boca a qualquer momento, sem precisar abrir a mochila ou procurar as garrafas de água nos bolsos.
  9. Extras e anexos: muitas mochilas possuem inúmeros pontos de amarra que possibilitam que você anexe ainda mais bolsas e equipamentos, como cordas, tiras, capacetes, etc. Algumas mochilas possuem compartimento frontal externo ajustável – ótimo para guardar itens molhados -, além de bolsos laterais feitos de tela elástica ideais para carregar garrafas de água. Tudo isso é muito bom para organizar melhor sua bagagem, mas é preciso ter em mente que todos os extras acrescentam mais peso à mochila.
  10. Contudo mochila boa é mochila leve. Portanto pense bem no que deseja levar e compre uma mochila com o tamanho certo – não compre uma maior do que precisa. Lembre-se quanto maior é a mochila, maior é o peso (e o peso pode atrapalhar muito o deslocamento e deixar a caminhada bem mais cansativa).

Algumas considerações que você deve fazer antes de escolher o tamanho de sua mochila: o volume exato depende também de suas características físicas e outros fatores. Dependendo de sua altura, resistência física e experiência na atividade a escolha pode variar. Por exemplo, uma mulher de 1,60 cm e 50 kg dificilmente irá carregar uma mochila de 75 litros com 12kg de peso. Neste caso, o melhor é uma mochila de 45 litros no máximo. Saber a experiência de outras pessoas para determinar o que será útil ou não na sua peregrinação faz muita diferença. Excesso de roupa, muito alimento, equipamentos inúteis são erros comuns que requerem mais volume e aumentam o peso da mochila.

As mochilas possuem várias regulagens e é fundamental conhecer suas funções para poder adequá-las a cada situação. Conhecer os detalhes do produto e saber fazer a regulagem correta pode salvar a sua peregrinação. Com exceção da regulagem dorsal, todas as outras devem ser ajustadas toda vez que se veste a mochila, pois dependem da carga, do terreno, da roupa e até do humor do dono e quanto mais técnica for a atividade mais se exige estabilidade da mochila e mais apertadas devem ser as regulagens.

  1. Regulagem Dorsal – Normalmente é a única regulagem fixa da mochila, ou seja, você regula apenas uma vez de acordo com o tamanho do seu tronco. Faça essa regulagem de maneira muito atenta e de preferência com o auxílio de alguém. Se for mal feita, esta regulagem poderá sobrecarregar os ombros.
  1. Fitas de compressão lateral – Este tipo de regulagem se torna especialmente importante para mochilas com meia carga, pois permite compactar a carga mais perto das costas. O ideal é deixar a mochila achatada e rígida. O sistema mais comum é o de duas ou três fitas horizontais em ambas as laterais da mochila. A regulagem é feita com fivelas de nylon do tipo “só puxar”. É bom que se tenha pelo menos quinze centímetros de fita sobrando para prender apetrechos (o isolante, por exemplo). Neste caso fivelas tipo “macho-fêmea” facilitam ainda mais a operação.
  1. Barrigueira – Este é o acessório mais importante da mochila, média ou grande. Fuja das mochilas com regulagem fixa, ou seja, aquelas que além da fivela principal da barrigueira tem uma outra que fixa a regulagem. No mínimo um dos lados deve ter regulagem livre: ajustável sem que seja preciso desconectar a fivela principal. Certifique-se também se a regulagem mínima da barrigueira vai se ajustar adequadamente quando você estiver magrinho ou caminhando sem camisa. Algumas pessoas chegam a emagrecer até cinco quilos numa caminhada de quinze dias em terreno difícil ou altitude. Não se esqueça de que a função principal da barrigueira é transferir o peso da mochila para os quadris. Barrigueiras fofinhas e com aparência confortável podem se tornar um martírio sob uma mochila carregada, e normalmente perdem muito em durabilidade. Muitas mochilas pequenas e leves têm barrigueiras de fita que não transferem carga para a cintura. Elas funcionam com estabilizadores e são muito úteis para escalar, correr ou caminhar em terrenos acidentados. Fique atento também para a fivela. Existem muitos modelos diferentes e alguns deles podem quebrar se utilizados de forma exigente, principalmente se forem de plástico. As boas fivelas são de nylon e geralmente fazem um sonoro “clac” quando fecham.
  1. Alças principais – Assim como na barrigueira, as alças devem ser estruturadas (semirrígidas) para melhor eficiência e durabilidade. As alças “acolchoadas” ou “fofinhas” acabam se deformando e tendo a superfície de contato diminuída. A regulagem das alças pode ser de cima para baixo, quando as fivelas são fixas nas extremidades das alças, ou debaixo para cima quando as fivelas são fixas na base da mochila.
  1. Estabilizador lateral – Item responsável pela estabilização do movimento lateral da mochila sobre as costas, deve ser regulado após a barrigueira e as alças terem sido apertadas, pois sua regulagem muda drasticamente a cada situação.
  1. Estabilizador superior – Mantém a mochila próxima das costas e desloca o peso para a frente, o que aumenta a eficiência da barrigueira. Muitas mochilas permitem regular a altura desta inserção, o que deve ser feito depois da regulagem dorsal. O ideal é que ela se mantenha alguns centímetros acima dos ombros.
  1. Estabilizador peitoral – É uma ótima solução para cargas pesadas, terrenos acidentados e caminhadas longas. Evita que as alças entrem em baixo dos braços e permite transferir o “puxão da mochila” (tendência da mochila cair para trás) para a área peitoral, aliviando os ombros. Mudando-se a regulagem do estabilizador peitoral durante o decorrer do dia, ou mesmo soltando-a algumas vezes, alivia-se bastante o desconforto na parte superior do tronco.

Fonte:
O texto foi originalmente publicado no site da Associação Brasileira dos Amigos de Santiago (www.caminhodesantiago.org.br) e você pode baixar o arquivo acessando o site ou clicando aqui.

Sobre Tacio Renato Pizzi Caputo
Sou uma pessoa comum como tantas outras, que tem um emprego fixo e e uma enorme alegria de viver e de experimentar novos desafios E foi isso que me levou a descobrir os Caminhos que levam o peregrino até Santiago de Compostela, e ao voltar resolvi escrever as experiências vividas.

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1 Comentário

  1. […] livro não se aprofunda em alguma temas pontuais da preparação que me interessavam (ex: como escolher a sua mochila), e não é esta a proposta, mas foi o suficiente para que eu me interessasse e depois da leitura, […]

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