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Caminhada cognitiva

À medida que os quilômetros caminhados aumentam e  vão se acrescentando à  vida, talvez no mesmo ritmo que rareiam os cabelos e surgem os filhos dos nossos filhos – passamos a ver e entender a caminhada como se fosse uma universidade atemporal. Com vivências em cuidados e preservação do meio ambiente, pós graduação em ciências humanas, um doutorado em resiliência e um MBA em generalidades e informações aparentemente inúteis.

A este tempo da vida, ou de seus caminhos – sua contabilidade registrava algo em torno de onze milhões de passos dados, o que mais tarde me levou a fazer algumas operações de aritmética para dimensionar sua bagagem de experiências/conhecimentos/quilômetros.

Busquei nas gavetas dos meus alfarrábios empoeirados, o registro de quantos passos eu tinha dado quando percorri o Caminho de Santiago.

Revirei as gavetas de minhas reminiscências até encontrar este dado e também uma velha e abandonada calculadora.

Primeiramente dividi 814 km – total de quilômetros que caminhei  ao longo do Caminho de Santiago – que meu aparelhinho alemão – modelo 1996 – conhecido como “pedômetro”- certamente desenvolvido com os conhecimentos deixados por Samuel Morse – inventor do telégrafo (rs!) – para relembrar a medida do meu passo – que calculei contando quantos passos são dados em 10 metros e em seguida dividi o resultado por 10 – aplica-se o “desvio padrão” (rs!) para então obter o tamanho do passo. À época (1996 – não vale bullying) o meu resultou em parcos 0,59 cm.

O que me levou a concluir que percorri 814 km de 0,59 em 0,59 cm.

De posse desta metodologia apliquei o mesmo raciocínio – utilizando o tamanho do meu passo – só para ter uma idéia da quilometragem que até então ele havia acumulado.

Segurando a calculadora com a mão esquerda, com o indicador direito fui teclando os números e num arrobo de inteligência multipliquei 0,59 cm por 11.000.000 de passos dados. Imediatamente surgiu na telinha o resultado próximo a 6.500 quilômetros caminhados. O que no “score peregrino” o classificava como um caminhante bastante experiente. Certamente uma mochila com muitas estórias para contar e um belo acervo de conhecimento geral.

Em algum momento ele mencionou a palavra “cognitivo” explicando que na sua compreensão a caminhada era “cognitiva”. Para sair das trevas, quando retornei fui procurar saber o significado do termo cognitivo.

A pesquisa revelou que:  “… a cognição envolve fatores diversos como o pensamento, a linguagem, a percepção, a memória, o raciocínio, etc., que fazem parte do desenvolvimento intelectual. Ajuda a entender que os sentimentos são desencadeados por pensamentos e nos capacita a reinterpretar os pensamentos de uma forma mais construtiva.

O que nos leva ao paradoxo – sem “substituir ou comparar” – de supor que caminhar pode ter efeitos similares a terapia cognitiva.

Uau!

De certa forma, esta mania de sair por aí dando um montão de passos é também uma autoterapia – coisa de maluco mesmo.!

Então levante desta confortável poltrona e venha para esta universidade!

Fonte: Tribuna de São Pedro

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José Palma
José Palma
José Palma, pisciano — nasceu no dia oito de março de 1950 — descobriu que fraternidade era muito mais que uma palavra quando em 1996, realizou o Caminho de Santiago. Empresário, resolveu mudar sua vida após retornar de seu Caminho. Simplificar a rotina e aliviar o peso de sua mochila — uma mudança fácil de planejar e complexa de se executar. Idealizou o Caminho do Sol e desde sua inauguração, dedica-se integralmente ao Caminho e caminhantes. Nesta simbiose, vive intensamente as experiências e o aprendizado de cada peregrino. Continuar sonhando sonhos impossíveis e um dia conseguir tocar o inacessível chão, fazem parte de sua luta, onde a regra é não ceder e sim fazer do “Amor um Vencedor”.

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