Ao longo dos caminhos uma das grandes revelações que tive foi a certeza que o ser humano é um mosaico multicolorido e multifacetado – eu incluso e atolado até o pescoço.

Entendo as cores como a usina responsável por gerar a harmonia universal. Somos os agentes que devem alimentar o universo com amor, com esperança, com fé, com perseverança, com perdão, com resiliência e tantos outros substantivos e adjetivos que nos ensinam a combater o bom combate.

Mas somos obrigados a dividir o espaço com seus opostos – e este é o grande desafio – o aprendizado que o avesso, do avesso, do avesso do avesso nos proporciona ao longo dos caminhos da vida.

Distante do rótulo de multifacetado juramentado. A simples condição de ser humano já me transforma em uma alma errante e imperfeita – e muito!

Há quem diga que caminhar é de fato uma fábrica de alegria.

Outro tanto entende que este turbilhão de passos é um delírio agridoce.

Ou um potente alucinógeno impulsionado por uma gama infinita de ações mecânicas e mentais cuja combustão se dá pela constante alternância da respiração, da expiração e da “inspiração”, referindo-se à última com a maior amplitude de interpretação possível.

Nesta imensa floresta de diversidades, a fauna e a flora são fartas em paradoxos intelectuais, onde “nunca” e “sempre” se unem em uma só afirmação, onde se colhe frutos parecidos porque descobrimos “no vivo e na cor”, que memória e memorização embora aparentem ser irmãs siamesas são apenas primas entre si.

A primeira é sorrateira e constantemente se esconde ou simplesmente vai embora – sorrateira, adora nos trair. Já a segunda é a “preservação da memória” é serena e acomodada registra e guarda os momentos que gastamos ao longo da vida vivida, espaços físicos, experiências em geral, gostos e desgostos, sabores, cheiros, nascimento e morte, problemas e soluções, união e separação e tudo mais que ela for catando pela vida a fora.

Diz o caminhante que “o caminho nunca termina”.

Com isto ele apenas sobrevive o interregno que o separa do caminho seguinte. Outra constatação é que ”cada caminho é um caminho”.

Com os pés mergulhados na bacia plena de água, gelo e etc. disse:

_O que se faz no caminho fica no caminho – afinal aqui tudo pode, só não pode qualquer coisa.

 

Fonte: Tribuna de São Pedro