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Amor não se agradece

Quando percorri o Caminho de Santiago em 1996 – pela primeira vez em minha vida pude vivenciar a fraternidade e compreender a intensidade do seu significado.

Corações aconchegantes, braços escancarados, sorrisos largos e desinteressados muitas vezes aliviaram minha dor, corrigiram meu caminho e proporcionaram inúmeros aprendizados.

Ao longo da jornada somos agraciados com palavras, com silêncio, com olhares, com gestos e com atitudes que nem sempre percebemos.

Ao final, um dia… outro… outro… e as coisas começam a fazer algum sentido.

A percepção, o entendimento e a aceitação não são imediatos ou de fácil compreensão.

É preciso digerir o caminho e seus efeitos – um processo longo, gradativo e não raro muito dolorido.

Os jovens da minha geração dizem que ”a ficha demora para cair”.

O Caminho começa com uma interrogação e termina com uma enorme exclamação!

Como a roda roda, o mundo gira e tudo que arde cura, aprendemos que “menos vira mais” e “dividir é multiplicar”.

Assim voltamos à vida normal – cada caminhante é um caminho e todos somos um – com nossos traumas, nossos aprendizados e muito ânimo para se reinventar – uma reengenharia de vida.

Muitos querem devolver ao Caminho um pouco do muito que dele receberam.

Neste nosso universo temos muitos exemplos – seres que tomaram atitudes que revelam a grandeza de um coração verdadeiramente peregrino.

A imensidão de almas que criaram projetos sociais, educacionais e ambientais, iniciativas, ações e gestos que seriam temas para um tratado “pós caminho”.

Anos depois de ter percorrido o Caminho de Santiago, soube que um dos hospitaleiros que me acolheu em seu albergue era um empresário francês.

Durante a cena – jantar – ele encerrou seu relato com uma frase que marcou meu caminho e mudou por completo a minha vida.

Um pensamento que define e norteia esta trupe de dedicados e aguerridos voluntários que abastecem o Caminho do Sol “de” e “com” muito Amor.

Atenção prezado leitor – estamos aqui falando de Amor Universal – de Amor Incondicional – de fazer pelo outro sem nenhum interesse, sem mesmo saber quem é outro e o que faz.

Pense e coloque em prática o que ouvi do empresário/hospitaleiro:

__Amor não é para agradecer é para retribuir.

Fonte: Tribuna de São Pedro

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José Palma
José Palma
José Palma, pisciano — nasceu no dia oito de março de 1950 — descobriu que fraternidade era muito mais que uma palavra quando em 1996, realizou o Caminho de Santiago. Empresário, resolveu mudar sua vida após retornar de seu Caminho. Simplificar a rotina e aliviar o peso de sua mochila — uma mudança fácil de planejar e complexa de se executar. Idealizou o Caminho do Sol e desde sua inauguração, dedica-se integralmente ao Caminho e caminhantes. Nesta simbiose, vive intensamente as experiências e o aprendizado de cada peregrino. Continuar sonhando sonhos impossíveis e um dia conseguir tocar o inacessível chão, fazem parte de sua luta, onde a regra é não ceder e sim fazer do “Amor um Vencedor”.

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