Logística imaterial para vencer grandes distâncias dando um passo de cada vez.

O mergulho cauteloso sugere ao mergulhador que o faça com cautela – como um gargarejo.

Para perfurar as nuvens e tocar o infinito celestial o piloto sabe que deve escalar a altimetria centímetro por centímetro.

Transformar sonhos em realidade exige muito mais que uma intenção solitária – é preciso buscar quem queira sonhar junto.

A travessia exige elevadas doses de alquimia para harmonizar as emoções. Acomoda-las esquivando-se de suas quinas traiçoeiras evitando cair nas armadilhas da intempestividade.

Vencedores habitam o universo onde os sonhos são elevados à categoria de realidade.

Ao cientista o mérito da descoberta.

Ao médico o milagre da cura.

Ao arquiteto a harmonia dos traços.

Ao engenheiro a perfeição da obra.

Ao ator o calor do aplauso.

Ao caminho a expiação do caminhante.

Nesta obscura simbiose desenhando novos horizontes, rabiscando a prancheta do passado e escrevendo a arquitetura de um futuro sinarquico – temos a oportunidade de parir um novo ser.

Na lentidão de cada passo o fantasma da alma revisita o passado que insiste em estar presente pisando o mesmo chão.

Resta claro a presença de crenças invisíveis, vida vivida, morte morrida e nascimento parido.

Uma redundância que ao longo da jornada escreve sua história buscando registros empoeirados, feridas purulentas e cicatrizes abertas.

Verdades impensadas que fariam o mudo falar e o cego enxergar.

Uma clareza surreal em tempo irreal.

Tudo absoluto e verdadeiro como uma quarta via.

Eu não sou eu.

Eu sou eu e minhas conseqüências.

Fruto de minhas ações e omissões.

Assim, multiplicando a lentidão do passo dado e dividindo a eternidade de cada segundo vivemos a ambigüidade.

Deixamos de ser uno para viver o todo.

Escorregamos no ontem, tropeçamos no hoje e caímos no amanhã.

Confusos com tanta certeza podemos afirmar que:

Amanhã eu fui porque ontem eu vou.

Não é?

Fonte: Tribuna de São Pedro