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Adeus homo sapiens

__Vovô o que é homo sapiens?

Enquanto meus neurônios saiam voando para pedir ajuda aos universitários e encontrar a melhor resposta, meu genro Tom acudiu:

__Manuella todos os humanos pertencem à categoria do “homo sapiens” – e somente para que meus ouvidos ouvissem – cochichou: mas é por pouco tempo!

Como aprender é mudar posturas, rapidamente desvesti o traje peregrino. Coloquei a camisa branca, a calça azul marinho e fui logo sentar na primeira fileira.

__ Como assim, Tom? – perguntei.

__ Segundo os estudiosos, o “homo sapiens” – homem sábio – surgiu a cerca de 350.000 anos na África sucedendo o “homo erectus”, que por sua vez sucedeu o “homo habillis”. O “homo sapiens” desenvolveu a linguagem, a música e expressões culturais – porém seu tempo esta vencendo. Hoje é inegável o desenvolvimento e consequências da inteligência artificial. Veja que robôs já substituem os seres humanos em muitas tarefas. Existem plataformas cognitivas que coletam informações não estruturadas na internet e as processam como a mente humana com uma velocidade inimaginável. No Brasil desde 2015 um modelo de plataforma cognitiva vem sendo utilizada em alguns Bancos e empresas de telemarketing executando um protocolo que permite atender 30.000 ligações/dia com 8.000 procedimentos e apta a responder em fração de segundos um cardápio com 50.000 perguntas – nem imagino quantos postos de trabalho foram eliminados e substituídos por um sistema “semi-humano”, ou melhor, “desumano” infinitamente mais rápido e preciso. O supercomputador Watson – realiza diagnósticos dos mais diversos tipos de câncer com precisão, rapidez e assertividade próxima a 100%, indicando aos médicos a melhor conduta e os medicamentos adequados à cada caso. Plataformas de inteligência artificial também podem ser utilizadas em escritórios de advocacia com um desempenho que nenhum ser humano chegaria perto. Podem processar em poucos segundos informações equivalentes à hum milhão de livros. Mais rápido que um piscar de olhos conseguem fazer o que um advogado levaria dias de trabalho e inúmeras pesquisas. Segundo o cientista, historiador, filósofo e escritor israelense Yuval Noah – autor do beste seller “homo deus” estamos em fase de transição do “homo sapiens” para o “homo deus” cujo objetivo é alcançar a imortalidade, a felicidade e a divindade. No espaço de 100 a 150 anos a morte só irá ocorrer por problemas técnicos ou acidente. Teremos um neuro transmissor implantado em nosso organismo que irá coletar uma infinidade de dados e enviar para organizações tipo Google. Cientificamente e com precisão irão monitorar nossa saúde, nossos hábitos e nos conhecerão melhor que nós mesmos. Farão recomendações médicas, terão nosso perfil profissional, social, de consumo, de lazer, nossos hábitos, preferências, o que melhor nos convêm, onde e como.

Dez anos atrás ninguém levava a sério o sul africano Elon Musk – fundador da Tesla – fabricante de carros elétricos e da Space X – contratada pela NASA para enviar foguetes ao espaço com uma economia de 90% e eficiência de 100%. Como a galáxia tem 13 bilhões de anos podemos dizer que recentemente navegadores da Escola de Sagres exploravam os oceanos em busca de um novo mundo. A Companhia das Índias buscava o comércio de além mar. Os bandeirantes embrenhavam-se floresta adentro em busca de riquezas e agregar novas terras para “El Rei”. Elon tem um projeto para instalar em Marte uma colônia para preservar a raça humana. O planeta Marte tem oxigênio e é possível terra povoá-lo criando rios, oceanos e florestas. Está previsto para 2022 a realização do primeiro voo tripulado.

Loucura, devaneio, ambição, ou característica do homo sapiens?

Vivendo um sonho lúcido, não sei se segui pensando ou conversando comigo mesmo. Lembranças penduradas no prego da memória resgataram reminiscências guardadas em alguma gaveta do passado. Lembrei quando pedia à telefonista para fazer uma ligação interurbana, dos passeios de bonde, das idas e vindas no “papa filas” – um ônibus enorme, das viagens de trem leito e a ansiedade corrosiva para tomar o café da manhã no vagão restaurante, do carteiro, do telegrama, do litro de leite de vidro que o leiteiro deixava na porta de casa, do sorveteiro com charrete, de ir à quitanda e anotar as compras na caderneta, de ver meu pai na chuva colocando correntes nos pneus para atravessar os trechos com muita lama, do papel carbono, da caneta Parker 51, das aulas de datilografia, da laika – cadelinha russa, tripulante do Sputnik – de assistir os jogos da Copa do Mundo na Praça da Sé olhando para um painel enorme que alternadamente acendia as lâmpadas indicando a movimentação dos jogadores em campo.

Tomara que o “homo deus” tenha pernas para caminhar e muitos caminhos para percorrer!

Fonte: Tribuna de São Pedro

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José Palma
José Palma
José Palma, pisciano — nasceu no dia oito de março de 1950 — descobriu que fraternidade era muito mais que uma palavra quando em 1996, realizou o Caminho de Santiago. Empresário, resolveu mudar sua vida após retornar de seu Caminho. Simplificar a rotina e aliviar o peso de sua mochila — uma mudança fácil de planejar e complexa de se executar. Idealizou o Caminho do Sol e desde sua inauguração, dedica-se integralmente ao Caminho e caminhantes. Nesta simbiose, vive intensamente as experiências e o aprendizado de cada peregrino. Continuar sonhando sonhos impossíveis e um dia conseguir tocar o inacessível chão, fazem parte de sua luta, onde a regra é não ceder e sim fazer do “Amor um Vencedor”.

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